domingo, 27 de setembro de 2009

" O Processo é Lento"



Dias atrás, como de costume, comprei a revista Trip para ler. Na capa vinha a frase DESACELERAÇÃO, como editorial daquela edição.

Mas o que seria a Desaceleração, propriamente dita ? ?

Para alguns, é o simples fato de " tirar o pé do acelerador", diminuir a velocidade sobre todos os aspectos, tanto ambientais como sociais.

O meio ambiente por exemplo, passa por um processo contrário, o de aceleração causando a sua destruição. O consumo cada vez maior, faz com que aumente as catastrofes naturais como chuvas torrenciais, tornados, furacões, o aumento de gases do efeito estufa ( CO2) entre outros problemas causados por nós, através de nossas atitudes.

Quantas vezes não comentamos, de que o ano passou depressa ou aquele dia passou rápido...isto é reflexo do processo de aceleração que estamos vivenciando. Segundo Luiz Paulo Ishibashi, vulgo Japonnn( brother), " O universo está em expansão", acelerando a matéria e consequentemente aumentando a velocidade dos planetas sobre suas órbitas, ou seja, os dias estão cada vez mais rápidos porém não notamos visualmente, mas temos essa sensação.

Há 2 meses me mudei da frenética São Paulo para encontrar uma qualidade de vida melhor. A convite de brothers, cheguei em Navega Surf City, Navegantes, litoral norte de Santa Catarina.

É uma cidade de aprox. 70 mil habitantes, com 14 km de praia, cercados por uma faixa de mata nativa considerada APPs ( foto acima). Área de Preservação Permanente.

Nunca pensei encontrar uma área dessas aqui. Após trabalhar 3 anos no Greenpeace, participando de diversas atividades em defesa do meio ambiente, cobrando do governo federal justamente as tais APPs e APAs ( Área de proteção ambiental), hoje me deparo com uma praia que " tenta" entrar no contexto de " preservação". Digo tenta porque a sua própria população e seus governantes não olham pro lugar que tem.Por ser uma cidade portuária, ( PortoNav) não é difícil de se ver grandes manchas de óleo espalhadas no mar, causadas pelo entra e sai de navios a todo momento...Presenciei várias vezes o esgoto desenbocando direto no mar, mas mesmo assim a natureza ainda luta contra o homem e entre uma queda e outra de surf, surgem os Botos, que saem dos rios Itajaiaçu e Mirim,para se alimentarem no mar proporcionando um show de imagens saltando sobre as ondas.

Navega, que é uma cidade que está em um crescente desenvolvimento, ainda consegue viver o que chamamos no começo deste texto de Desaceleração.

Aqui não se vê aqueles corredores de luzes imensos formando kilometros de trânsito, o espaço é dividido entre carroças, zicas ( como é chamado a bike aqui) carros e muitas motos ( principalmente aquela Biz.) porém do contrário de Sp, onde as pessoas estão trocando seus automóveis por bikes para se locomoverem dentro dos centros urbanos, aqui ter carro significa status, mas parece mesmo um trio elétrico de carnaval, a moda é andar de carro com o som alto. É uma salada musical, se é que pode chamar aquilo de música...mas enfim, voltando ao contexto, quase todo o comércio fecha na hora do almoço, a cidade fica parecendo faroeste caboclo, poucas pessoas nas ruas, mas depois tudo volta ao normal até mais ou menos 22hs quando permanece a tranquilidade e a calmaria da city novamente.

Após 25 anos acostumados com a aceleração da metrópole, tento aos poucos e de uma forma equilibrada, entrar no processso de Desaceleração do cotidiano.


" Desacelere já, voce não aguenta mais. O planeta, então, nem se fala.

Não é mais uma escolha: pise agora no freio ou a porrada vai ser forte" ( Revista Trip).


Surf é Hedonismo, cultive-o!!!


Aloha!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

IRONMAN Brasil 70.3



Acontece neste final de semana dia 29/08, na cidade de Penha em SC, a etapa internacional do Iroman Brasil 70.3 que servirá como classificatória para a etapa da Flórida em novembro deste ano. A prova conta com 600 atletas de 14 países que percorrerão 1,9 km de natação saindo da praia da armação do Itapocorói em formato de volta até a bóia, 90 km de bike e finalizam com 21 km de corrida chegando no Pq. Beto Carrero World.

O número 70.3 se refere à metade da distância de um Ironman, em milhas. Isso significa que o Ironman 70.3 possui a metade das distâncias praticadas da prova que ocorre anualmente em Florianópolis ( dados acima)...

O evento é promovido pela Latin Sports desde 2001.

Atualmente, morando em Navegantes - SC ( ao lado da cidade de Penha) percorri 49 km de bike deste percurso em 2 horas e é impressionante o visual que se tem na estrada passando pelas praias, cortando morros e vilarejos até encontrar o pq. beto carrero, ao meio de um vale com réplicas de dinossauros em tamanho real, espalhados pelo campo...


É isso aí galera, Triathlon bombando aqui no Sul...whooooo!!!!


Aloha!!

terça-feira, 21 de julho de 2009

RE: Board - Brasil Skate arte and beck research


A Matilha cultural apresenta de 22/7 a 28/08 uma exposição de arte feita em shapes de skate, além de um documentário que será exibido.
Artistas como: Felipe Motta, Flavio Samelo, Billy Argel entre outros, mostram seus pensamentos, suas "pirações", esculpidas nos carrinhos, pura arte grafitada!!
Vale a pena conferir...

Quando?onde?quanto?

Espaço Matilha Cultural
R. Rego Freitas, 542 centro, SP
galeria: terça a sexta das 11 às 20hs, sab e feriados das 12 às 18hs
sessão movie: quarta às 19hs e sáb. às 18hs
Para maiores informações acessem www.martilhacultural.com.br

Detalhe: é Free, de grátis !!!

Aloha!!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Farra do boi na Amazônia!!!

O Brasil é hoje, o quarto colocado no ranking mundial de emissões de CO2. 75% dessas emissões, são causadas pelo desmatamento de nossas florestas, no caso a Amazônia...Desses 75% de emissões, 59% são provenientes de áreas desmatadas para o uso ilegal da pecuária.
A cada 18 segundos, um hectare de florestas é derrubada para a criação de gado. Uma pesquisa realizada pelo Greenpeace, mostra um crescimento de 5 % no rebanho brasileiro na região Amazônica, que corresponde há 10 milhões de cabeças de gado, sendo que o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo com 250 milhões de cabeças de gado. Na Amazônia, são 3 cabeças de boi per capita, no Mato Grosso esse número aumenta para 7 cabeças per capita.
Atualmente, 80 % das áreas desmatadas são ocupadas pela pecuária, levando o Brasil a se tornar o maior exportador de carne bovina do mundo. Empresas como Bertin, JBS, Marfrig são as grandes responsáveis pelo desmatamento, além do governo brasileiro que financia, através do BNDES, créditos para essas empresas.Para se ter uma noção desse investimento, o BNDES possui 27% das ações da Bertin, 13% da JBS ( Friboi) e 15% da Marfrig. Mas não são somente essas empresas os responsáveis, os grupos Carrefour, Wal-Mart,Makro e Pão de açucar também contribuem por comercializar essa carne proveniente de áreas desmatadas, porém na semana passada após denúncia do Greenpeace, essas grandes empresas romperam os contratos que tinham com os frigoríficos passando a exigir algum tipo de controle sobre o boi que vem da amazônia. Outras marcas globais como Nike, Adidas, Audi,Honda, entre outras, acabam sendo parceiras silenciosas do crime, pois utilizam, o couro e outros derivados do boi na fabricação de seu produtos, todos provenientes da Bertin que além de ser a maior exportadora de carne do Brasil é também a segunda maior de couro do mundo.
O governo Lula diz em reduzir o desmatamento em 72% até 2018, mas é muito difícil de acreditar sendo que hoje, o país ocupa 30% da fatia de mercado mundial de carne e quer subir para 60% até 2018, ou seja, como o governo quer reduzir o desmatamento se ele mesmo financia boa parte disso tudo, seria o dobro de share no mercado mundial, lembrando que para aumentar esse share, precisará de mais terras, logo, a Amazônia provavelmente se transformará num imenso pasto, se já não é né!!
O que fazer então?: Industrias e frigoríficos; Parar de negociar com fazendas ou empresas envolvidas no desmatamento recente da Amazônia; apoiar uma moratória imediata no desmatamento; impulsionar a inclusão de critérios ambientais no atual sistema de rastreabilidade da cadeia produtiva;O Governo, fortalecer a presença do Estado na Amazônia; parar de autorizar novos desmatamentos; parar de financiar empresas que desmatam, entre outras coisas...
Nós como consumidores devemos exigir a procedência da carne bovina que comemos, além de seus derivados, tentar pelo menos consumir menos carne e cobrar do nosso governo atitudes para frear de uma vez o desmate na Amazônia.
Para maiores informações acesse: http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/gado
http://www.greenpeace.org.br/gado/fotos_apyterewa.html links para imagens...

Aloha!!!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Oceanos em perigo!!


A OMS ( organização mundial da saúde) defini o lixo sendo qualquer coisa que seu proprietário não quer mais e que não possui valor comercial. Partindo do princípio que parte desses resíduos gerados por nós humanos , em nossas atividades, ainda possui valor comercial, que se, manejado da forma correta, passa a se tornar matéria prima para a produção de novos materiais.
Após passar por este ciclo de reutilização, que de alguma forma, não se reintegra na cadeia produtiva, recebe o nome de "lixo".
Recilar o lixo, reutilizar as embalagens, economizar água e energia, se comprometer com o descarte dos materiais que produzimos, concientizar outras pessoas e acima de tudo, cobrar nossos governantes, para que tomem decisões limpas e justas para o meio ambiente, são atividades que reduz os impactos ambientais que causamos no nosso planeta, que por sua vez, não é descartável.
Tempo de decomposição desses resíduos no oceano:
Papel: 3 a 6 meses
Jornal: 6 meses
bitucas de cigarro: 20 meses
nylon: mais de 30 anos
Latas: 50 anos ( somente aço)
Plástico: 100 anos
Vidro: 4000 anos
No quadro acima, foram divulgadas as espécies marinhas mais perigosas dos nossos oceanos...

Reflita sobre seu consumo...!

Aloha!!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ensaio sobre a miopia

Excelente texto publicado no site Oeco por Fernando Fernandez, sobre a visão política e ambiental do governo Lula, ou seria a miopia né!!!





“Ensaio sobre a cegueira”, do grande escritor português José Saramago, transformado em filme por Fernando Meirelles, não é só um romance brilhante. É também um livro violentamente perturbador. A idéia é criativa mas simples: uma epidemia de cegueira atinge quase toda a humanidade. Em um período de tempo muito curto – semanas ou meses - esta tragédia vai destruindo completamente não só toda a civilização que criamos, mas os próprios valores morais das pessoas.

No nosso mundo real, bem mais frequente que a cegueira é a miopia, que é a incapacidade de ver bem de longe. Muitas pessoas do planeta, inclusive eu mesmo, sofrem deste problema ótico, que de modo geral é facilmente corrigido com o uso de óculos, lentes de contato ou cirurgias. Porém, também há a miopia política, e essa infelizmente não parece ser tão fácil de corrigir.

Esse pensamento me ocorre cada vez que penso sobre a política ambiental do governo Lula. Antes de tudo, cabe esclarecer duas coisas. Primeiro, quando me refiro aqui a política não o estou fazendo no sentido estreito de política partidária, mas no sentido bem mais amplo de política como o campo de atividade onde se cuida, ou se deveria cuidar, do interesse de todos, da população. Segundo, eu votei quatro vezes em Lula para presidente: nas três eleições que ele perdeu, e naquela em que ele se elegeu para seu primeiro mandato. Cheguei a trabalhar de graça vendendo botons na rua para arrecadar recursos para a primeira campanha dele (contra o Collor). Votei nele porque, como a maioria de nós, acreditava firmemente que ele iria fazer mudanças reais e construir um país melhor. Só não votei nele para o segundo mandato, mas bem... depois do mensalão e da manutenção de tantos dos velhos hábitos, aí já seria pedir demais. De qualquer forma, já acreditei muitíssimo em Lula e daí vem a força da minha decepção.

O inimigo da vez

Há alguns dias, o presidente Lula escolheu o inimigo da vez do desenvolvimento do Brasil: a perereca. Em um discurso no Acre, Lula disse: “A gente está fazendo um grande viaduto no Rio Grande do Sul, ligando a BR-101, que vai trazer muita gente da Argentina para o Brasil e muita gente do Brasil para a Argentina. Esse túnel tem mil e poucos metros, e encontraram ao lado do túnel uma perereca. Todo mundo aqui sabe o que é uma perereca. Pois bem, aí resolveram fazer um estudo para saber se aquela perereca estava em extinção. Aí tem que contratar gente para procurar perereca, e procure perereca, e procure perereca... Sabem quantos meses demorou para descobrir se a perereca estava em extinção? Sete meses, a obra parada. Eu espero que aqui no Acre não apareça nenhuma perereca na ponte do rio Juruá. Não é possível.” As palavras escritas não dizem tudo; quem viu na televisão viu o tom de deboche, de escárnio, com o qual Lula falava da perereca, tirando risadas da platéia.

Antes de irmos ao ponto central, será que o Lula sabe mesmo o que é uma perereca, ou melhor, o que é uma espécie de perereca, ou uma espécie de qualquer coisa? Pelo jeito que o Lula fala, assim como falou uns dois anos atrás sobre os bagres do rio Madeira, tenho sérias dúvidas que ele saiba o que é uma espécie biológica. Para dar uma ajudinha, uma espécie biológica pode ser definida como um conjunto de indivíduos que são capazes de cruzar uns com os outros produzindo descendentes férteis. Trocando em miúdos, um conjunto de indivíduos compartilhando um mesmo patrimônio genético, como a espécie humana por exemplo. Cada espécie representa um caminho único seguido por três e meio bilhões de anos de evolução biológica, e como tal é insubstituível. Extinção é mesmo para sempre, ou se o Lula preferir esta linguagem, perda do patrimônio natural do país, pelo qual lhe cabe zelar pela constituição, é para sempre. Além disso, se alguém não faz nenhuma idéia de se no Brasil há dez espécies de pererecas, ou mil, ou um milhão, como ele vai poder entender o que a perda de uma espécie representa? Sempre admirei muito o Lula por ter chegado onde chegou sem um grau universitário, mas ao governante máximo de um país não é dado o direito de desconhecer a este ponto os problemas com os quais ele tem que lidar. Talvez o Lula, que já disse que não gosta de ler, ande precisando seguir o exemplo do Obama, que disse que não gosta de ler clippings, mas prefere ler os próprios jornais e revistas. Livros também ajudam.

A ofensiva contra a legislação ambiental

Mas o ponto central é que Lula está passando uma mensagem muito clara: conservação da natureza, para ele e seu governo, é uma coisa supérflua e ridícula que atrapalha o desenvolvimento. Todo o discurso ambiental oficial se baseia no chamado “desenvolvimento sustentável”, mas a sustentabilidade tão alardeada quase nunca é testada, e quando o é geralmente não é verdadeira (ver minha crônica “A tal da sustentabilidade”, aqui no O Eco). Como eu já escrevi uma vez em outro lugar: desenvolvimento sustentável, quantos crimes se cometem em seu nome. Quando vemos o Lula falando das pererecas e dos bagres, é difícil não achar que a preocupação desse governo com as questões ambientais é só para inglês ver, não é sincera. A ordem verdadeira parece ser correr atrás do “desenvolvimento” a qualquer custo, inclusive e principalmente passando por cima dos tais “entraves” ambientais.

Será que estou exagerando? Não estou convencido disso. Nunca antes na história desse país assistimos a uma ofensiva tão violenta contra a legislação ambiental como a estamos vendo agora.

A maior parte dos ataques se originam a nível federal, inclusive, como apontado por Sérgio Abranches aqui no O Eco, do gabinete da Casa Civil, ou seja da ministra-candidata Dilma Roussef, que necessita desesperadamente de resultados do PAC para transformar em votos. A perereca não está sozinha nem é tão espontânea assim, é apenas parte de uma ofensiva orquestrada contra a legislação ambiental do país. O último exemplo é a emenda à MP452/2008, proposta recentemente pelo deputado José Guimarães, do PT – aquele mesmo dos dólares na cueca – com apoio do governo federal. Numa manobra indecente, o texto – que se refere a obras na malha rodoviária federal - veio para ser votado “encaixado” dentro de um outro projeto de lei sobre o fundo soberano. A proposta imoral fixa em 60 dias o prazo para máximo que seja concedido licenciamento ambiental; após 60 dias o licenciamento seria automático. Ou seja, é só enrolar um pouco, atrapalhar o processo, e faz-se a obra sem licenciamento ambiental. Além disso, entre várias outras coisas, há a proposta de anular o decreto 6321/2007 que entre outras coisas impede que desmatadores ilegais da Amazônia continuem tendo acesso a créditos públicos, e a sanha do ministro Mangabeira Unger para “flexibilizar” (eufemismo trágico) a legislação ambiental nas obras do PAC na Amazônia.

Outros ataques são a nível estadual, como o esdrúxulo e inconstitucional código florestal (também chamado código anti-florestal) aprovado em Santa Catarina. Ironicamente esse é o estado onde mais de 120 pessoas foram mortas há poucos meses por uma enchente cujos efeitos foram multiplicados pelo desmatamento das encostas; o governador culpou as “intempéries”, o que é sempre a saída mais fácil. Outros ainda são a nível municipal, como a não menos esdrúxula bolsa-floresta (também chamada bolsa-invasão), que poderia premiar os invasores de áreas de proteção ambiental, projeto esse aprovado pela câmara de vereadores do Rio de Janeiro. Embora para seu crédito o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tenha se oposto vigorosamente a ambas as iniciativas, não há dúvida que a atitude geral do governo federal de derrubar os “entraves” ambientais estimula que propostas assim continuem surgindo também a níveis estadual e municipal.

Todos esses ataques partem de uma mesma percepção: a de que a conservação da natureza é um entrave para melhorar a vida das pessoas. Isso é um exemplo claríssimo de miopia política, ou seja, da incapacidade de enxergar longe.

Diagnóstico da miopia política

Expliquemos nosso diagnóstico da terrível doença. O ponto fundamental é que a percepção descrita acima só faz sentido em uma escala pequena, de espaço e de tempo. A natureza é muito mais que uma coleção de pererecas e outros seres vivos que podem ou não estar atrapalhando o caminho de um viaduto. Hoje sabemos que a natureza fornece uma imensa variedade de serviços ecológicos os quais, entre outras coisas, permitem a nossa própria vida nesse planeta. Destruir a natureza localmente e agora pode até trazer benefícios para uns poucos - beneficiados localmente e agora - sempre à custa de muitos, prejudicados de maneira mais difusa, pela piora das condições sociais do país como um todo, no futuro próximo pelo qual cabe a um governante zelar.

Veja por exemplo as florestas, de cujos inimigos o governo quer facilitar a vida. As florestas, claro, são habitats para uma porção considerável da biodiversidade, e por proteger as nascentes dos rios garantem a qualidade da água que bebemos. Mas há vários outros serviços ecológicos importantes que também são exercidos por elas, dos quais vou citar só três. Primeiro, as florestas regularizam o fluxo hídrico, fazendo que a água das chuvas seja absorvida e liberada gradualmente, prevenindo as enchentes. Segundo, as florestas protegem as encostas contra a erosão. Terceiro, as florestas também fixam CO2 em grande escala, e a perda delas é uma das maiores causas das mudanças climáticas globais. Agora junte os três! É cada vez mais óbvio o aumento da freqüência de grandes catástrofes ambientais nos últimos anos. No Brasil está havendo uma longa série de enchentes devastadoras nos últimos meses em vários estados. No momento que escrevo são Maranhão, Piauí, Ceará, semana que vem serão outros.

Será que alguém já calculou quantas pessoas foram mortas no total nessas enchentes nos últimos seis meses? Centenas, aí incluídas as de Santa Catarina. Quantas perderam tudo o que construíram na vida inteira? Será que a complacência do governo com o desmatamento melhorou a vida dessas pessoas? Duvido muito. Será que a desertificação produzida por mudanças climáticas no oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina melhorou a vida das pessoas de lá? Também duvido muito. Será que alguém contabilizou os prejuízos econômicos da desertificação? E será que o Lula percebe que ao manter o Brasil como um dos grandes causadores das mudanças climáticas globais, em troca de benefícios sociais localizados e imediatistas, ele está dando sua importante contribuição para tornar o mundo pior, inclusive para os brasileiros e brasileiras? Aí eu já não sei.

Também não sei se algum dia vão fazer um clipping do “Colapso”, de Jared Diamond, para o Lula. Quem dera. Aí ele aprenderia que várias importantes civilizações do passado produziram sua própria ruína social e econômica por não saberem manejar adequadamente os ambientes dos quais dependiam. Aprenderia que a República Dominicana e o Haiti compartilham a mesma ilha (Hispaniola), mas enquanto o primeiro país conservou bem sua metade e hoje é próspero para os padrões latino-americanos, o Haiti devastou completamente a sua e é hoje o país mais pobre do hemisfério.

Um modelo obsoleto de desenvolvimento

Conservação só atrapalha o desenvolvimento se definimos “desenvolvimento” num sentido antiquado e de visão curta. Lula persegue obstinadamente um modelo de desenvolvimento do século XIX, baseado em exportação de commodities agrícolas, crescimento da produção industrial, aumento do uso de combustíveis fósseis e dilapidação dos recursos naturais. Mas nós estamos no século XXI, num planeta superpovoado e saturado, onde um país que queira melhorar a qualidade de vida de seu povo não pode mais ter esses objetivos obsoletos. Um modelo de desenvolvimento do século XXI precisa se basear em maciço investimento na educação básica, na ciência e na tecnologia; em exportação de inovação; em crescimento do setor de serviços com atividades de baixo impacto ambiental; em maciço investimento em fontes alternativas de energia; e em um uso sábio de recursos naturais que serão cada vez mais escassos nas próximas gerações. Um modelo de desenvolvimento do século XXI precisa não ter como objetivo desesperado maximizar o PIB a qualquer preço ambiental e social, mas sim a qualidade de vida das pessoas, definida num sentido amplo que inclua a qualidade do ambiente onde elas vivem.

Lula fala toda hora do que o seu governo representa na história desse país. Mas como será que ele quer ficar na história? Por que ele não se inspira no exemplo de seu colega lá de cima? Barack Obama recebeu uma herança trágica de Bush e em apenas cem dias já está fazendo uma mudança radical, que está tirando os Estados Unidos de uma posição de obscurantismo ambiental e tem tudo para colocá-lo numa posição de liderança mundial. Se isso acontecer, os benefícios para a qualidade de vida dos americanos e de todos nós serão imensos, e Obama certamente será lembrado como um dos maiores presidentes que os Estados Unidos já tiveram. Como Lula quer ser lembrado? Como o pior governo, do ponto de vista ambiental, da história desse país? Ou como alguém que, como Obama, também foi capaz de enxergar mais longe?

Aqui cabe um comentário lateral. Na fala de Lula sobre a perereca, ficou óbvio também o seu desprezo pelos cientistas. Não se trata de sete meses procurando pererecas, como se a questão toda fosse ridícula. Não é. Não basta saber se a perereca está lá ou não para fazer um estudo de impacto ambiental. Qualquer estudo decente de uma questão assim precisa entender processos ecológicos para poder avaliar como as obras previstas afetariam a demografia das populações biológicas envolvidas. Sei bem que nem todos os estudos de impacto ambiental no Brasil são bem feitos, muito longe disso, mas para um estudo bem feito sete meses não são, de jeito nenhum, um prazo longo demais. Será que nesse caso as pessoas que estavam fazendo este estudo não foram crucificadas apenas por estar tentando fazer seu trabalho direito? Fica a pergunta: Lula, Dilma, Mangabeira e companhia querem de fato saber se o que estão propondo é desastroso ou não, ou querem apenas uma autorização o mais rápido possível? É bom que o Lula aprenda a respeitar mais os cientistas, pois cada vez mais, se quiser ser bem lembrado, vai precisar deles.

Tem cura?

O livro de Saramago tem um final feliz. As pessoas aos poucos voltam a enxergar; a cegueira, no livro, cura-se sozinha. Já a miopia não se cura sozinha. Na verdade, quando começa, muitas vezes na adolescência, a gente demora a perceber que aquela dor de cabeça, e a queda de rendimento nos estudos, são porque a gente já não está conseguindo ver longe. Então se faz óculos e se corrige o problema. Ou seja, o primeiro passo é perceber que se tem miopia. Nesse ponto, a miopia política é igualzinha.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Bancos do Planeta, será???

Uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha a pedido da Ong Ambientalista "Amigos da Terra-Amazônia Brasileira" aponta que 70% das 2.055 pessoas entrevistadas preferem bancos que informassem sobre os impactos socioambientais de seus investimentos.Entre eles, mais da metade trocaria de banco se estas informações fossem oferecidas pela concorrência, desde que recebessem condições comerciais idênticas, e 18% dos entrevistados declararam que passariam à instituição mais transparente independentemente de serviços e taxas.
Essas instituições financeiras, investem milhões de reais em propagandas e marketing rotulando como " o Banco do Planeta", outras como "o banco da sustentabilidade" mas que na verdade, não passam de uma maquiagem verde. Financiam a destruição, principalmente da Amazônia, liberando créditos para o agronegócio e pecuária...que estão acabando com nossas florestas.
O banco Bradesco e o Banco do Brasil, são os que mais financiam a destruição ambiental, porem aparecem como os melhores em práticas socioambientais, talvez por projetos como a fundação Bradesco e o programa de estimular a vocação de algumas comunidades (com projetos de bordado, flores ou artesanato) esclareçam, por exemplo, o reconhecimento positivo do BB na região Norte. Segue abaixo um gráfico para esclarecer melhor...


















Pense, reflita, mude...!!

Aloha!!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pré Sal



O Pré Sal é um reservatório gigantesco de petróleo e gás natural que fica localizado entre as bacias de: Santos, Campos e E.Santo, na faixa litorânea que se extende de Santa Catarina ao Espírito Santo ( 800 km) e fica de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar, formando uma extensa camada de sal. Essas camadas se formaram há 100 milhões de anos, a partir da decomposição de materiais orgânicos. A exploração, envolve o mapeamento do sub solo, estudos geológicos sísmicos seguido de testes de perfuração de poços em áreas consideradas potenciais produtivas (dentro de áreas marinhas protegidas, como o caso do entorno do banco de abrolhos).
Os impactos dessas atividades no meio ambiente, vêm desde ruídos provenientes de testes sísmicos, a contaminação e perfuração dos sistemas marinhos com produtos químicos devido a liberação de Lama ( lubrificantes das brocas de perfuração), além da colocação de ferros e escavação de oleodutos no mar causando graves perfurações físicas dos ambientes marinhos.
A exploração e produção de gás natural ( como combustível fossil) pode ser feita longe dessas áreas marinhas protegidas, desde que seja realizado os estudos sobre impactos ambientais (EIA/RIMA) e a melhor forma de minimizar tais impactos sobre o ecosistema marinho.
Porém os esforços deveriam se concentrar em, na não utilização dessas fontes de energia ( carvão e óleo) para geração de energia, ficando livre das emissões de carbono, uma vez que o Brasil possui um enorme potencial para a produção de energia eólica e solar consideras limpas, renováveis.
O nosso governo continua andando na contramão do desenvolvimento sustentável, investindo em energias provenientes de combustíveis fosseis e nucleares...

Energy Revolution Jah!!!!

Aloha!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Surf no Vulcão!!!


Quem gosta e pratica esportes com pranchas, não se cansa nunca...
O mais novo esporte envolvendo boards agora é o Surf no Vulcão, isso mesmo, voce não entendeu errado, um doido australiano criou este esporte em 2005 e é praticado sobre uma prancha especial que atinge até 80 km/h dependendo da habilidade do praticante.
O vulcão é ativo tendo sua última erupção no ano de 1999. Fica localizado na Nicarágua à 730 mts de altura, conhecido como " Cerro Negro" e é o vulcão mais jovem da América Central e único usado para "surfar". A ladeira tem 500 mts de comprimento e pode levar de 20 segundos à 8 minutos dependendo da velocidade que se desce.
Instrutores recomendam a descida sentada por conta do solo formado por areia vulcânica, mas pelo jeito a galera dropa mesmo é de pé, normalmente usando roupas e óculos apropriados para as quedas que são frequentes neste caso..

É isso ai galera whoooo.....black trunck!!

Aloha!!!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

G20 e Aí???

Os líderes dos G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo, se reúnem em Londres amanhã para discutir a crise financeira global. No entanto, esta não é a única – e nem a mais importante – crise a assombrar o planeta. Só que, pior do que não falar, é não fazer nada para combater as mudanças climáticas. “O G20 têm uma oportunidade única de resolver a crise econômica e a crise climática simultaneamente: basta investir na construção de uma economia sem carbono”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, no Rio de Janeiro

Trinta ativistas abriram hoje uma faixa de 50m x 30m no vão principal da ponte Rio-Niterói para enviar uma mensagem clara ao G20: “Líderes mundiais: o clima e as pessoas em primeiro lugar”.

Para o Greenpeace, as nações do G20 devem comprometer pelo menos 1% de seu PIB em medidas econômicas sustentáveis, além de abandonarem os subsídios e outros incentivos econômicos que contribuem com as mudanças climáticas. Os demais países devem fazer tudo o que tiver ao seu alcance para sair do modelo de desenvolvimento baseado em carbono por um futuro de energias renováveis. Além de reduzir emissões, tais iniciativas vão fortalecer os esforços em direção a um acordo global forte e efetivo na Convenção de Clima que acontece em Copenhague, em dezembro.

Greenpeace action in Rio de Janeiro Brazil.

Greenpeace action in Rio de Janeiro Brazil.

O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa principalmente por causa do desmatamento na Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dos 70 milhões de hectares de floresta amazônica já desmatados na Amazônia Brasileira, cerca de 29 milhões de hectares foram destruídos depois da criação da Convenção de Clima da ONU em 1992, liberando 8 Giga tons de CO2 na atmosfera no período (1992-2009). Isso é mais do que as emissões anuais dos Estados Unidos em 2000 (6,6 Gt) e da China (5,1 Gt) e quase quatro vezes mais que o total emitido pelo Brasil (2,2 Gt) naquele ano.

“Zerar o desmatamento da Amazônia é a maior contribuição que o Brasil pode fazer na luta contra as mudanças climáticas. O Brasil deve ainda assumir a liderança apoiando o estabelecimento de um mecanismo financeiro global para acabar com o desmatamento e, consequentemente, com as emissões provenientes da destruição florestal”, disse Adario.

A ciência tem apresentado evidências claras de que as mudanças climáticas estão acontecendo em um ritmo muito mais acelerado do que se esperava e que há uma forte relação entre a sobrevivência econômica e climática do planeta. Estima-se que uma crise climática a todo o vapor resultaria no deslocamento de milhões de pessoas, ondas de fome, extinções em massa, com pobreza permanente em países em desenvolvimento e estrangulamento do crescimento econômico nos países desenvolvidos.

Os países do G20 representam 75% PIB global, 75% do consumo de energia e 75% das emissões de carbono. Mas, até agora eles parecem não entender que a contínua prosperidade de seus países não é conflitante com a preservação do meio ambiente, mas dependente dela. No longo prazo, a escolha que teremos de fazer não será entre empregos verdes e trabalho sujo, e sim entre empregos sustentáveis versus o colapso ecológico e social. “Até que as mudanças climáticas sejam a prioridade das comunicações do G20 e estejam no centro do seu raciocínio, o grupo não será apenas ignorante do ponto de vista científico, mas também do ponto de vista econômico”, disse John Sauven, diretor-executivo do Greenpeace na Inglaterra.

Texto postado no site www.greenpeace.org.br

Aloha!!!!